Santidade, Conversão, Correção
Por: † Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ e bispo referencial da Pascom na CNBB
Neste final de semana a Palavra de Deus ilumina nossas vidas e,principalmente, responde a tantos questionamentos sobre a nossa vidacomo Igreja. Ela é santa e pecadora! Santa enquanto instituída por Cristo etem todos os meios para a Salvação de todos. Pecadora em seus membrosque caminham ainda na penumbra e não se converteram.
O conceito da Igreja "santa, mas composta por membros pecadores",também significa que a comunidade eclesial inteira tende à perfeição econstantemente aspira à santidade: ser santos, isto é, perfeitos como ovosso Pai do céu, é o objetivo fundamental de cada cristão, e para estefim existem os meios da graça, e, em especial os Sacramentos.
Acabamos de celebrar o mês vocacional que, recordando-nos daoração pelas diversas vocações, nos indica, no entanto, que a nossa vocaçãocomum é a santidade. E é justamente essa direção que buscamos. A Palavrade Deus que celebramos neste mês da Bíblia é luz para o nosso caminho deconversão.
A Igreja é, portanto, uma comunidade de pessoas no vínculo dacomunhão com Cristo, Cabeça, e uns com os outros. Todos devem tenderà conversão e a comunhão com Deus. Todos os batizados são chamados aoarrependimento e à renúncia ao pecado, justamente por causa da vocaçãocomum de todos os batizados à santidade.
Todos estes objetivos são atingidos por meio da oração, dosrecursos espirituais que temos e dispomos, pelo dom da graça que estápresente nos Sacramentos, especialmente no Sacramento da Penitência eda Eucaristia, mas também pela capacidade de estabelecer comunhão esolidariedade entre nós. Os santos não se tornam, assim, sozinhos, masdentro da estrutura da comunhão da comunidade eclesial.
A Liturgia da Palavra nos mostra neste domingo um aspectoessencial da vida cristã, que é de grande ajuda para alcançar a santidadecomum, isso nós chamamos correção fraterna. Como o livro doApocalipse: "Aqueles a quem eu amo, eu repreendo e castigo" (Ap 3,19). Anota, ainda, mais explicitamente e de modo convincente a Cartaaos Hebreus: “estais sendo provados para vossa correção. É Deus que vostrata como filhos, pois qual é o filho que o pai não corrige? Com efeito,nenhuma correção parece de momento agradável, mas dolorosa. Maistarde, porém, dará frutos de paz e de justiça aos que nela foram exercitados.Levantai, pois, as mãos fatigadas e os joelhos trêmulos. Dirigi vossospassos pelo caminho reto, a fim de que o membro deficiente seja curado.”.(cfr. Hb 12, 7, 10-12.).
O que rejeita a correção fraterna não reconhece o amor de Deus.Porém, correção fraterna não deve ser confundida com o pretexto de umdomínio, não se está exercendo um estrangulamento apertado sobre o seuirmão, como se nós mesmos não fôssemos capazes de errar.
A correção deve ser exercida com sensibilidade e com verdadeiroespírito de diálogo e de fraternidade. Se um irmão é errado porque o seucomportamento gera preocupação de todos, é necessário que ele melhoreo seu proceder, e a intervenção da Igreja, quando necessário, pode serdecisiva. Mas ele também sabiamente prevê que o irmão pode não mudar avida e persistir no erro: tudo depende de sua liberdade e a consciência que aanima.
Onde, no entanto, apesar da correção, não a aceita e persiste no erro,fica claro que fez a sua escolha de continuar no pecado, devemos, então,considerá-lo alguém que ainda tem que ser iniciado na fé: um pagão.
Se um irmão está errado, se ele incide no erro, mas em nome deuma falsa amizade ou do medo você deixá-lo continuar nessa lacuna,acabaremos sendo corresponsáveis pelo delito dele porque não o ajudamosna correção fraterna.
Neste Evangelho, Jesus convida-nos a aprender a ter um diálogoconstrutivo entre nós, através da transparência. Isso se faz, especialmente,manifestando ao outro o mal que fez e indicando um caminho de cura.
Qual é a chave para começar? O amor, a capacidade de perdoar, oque impede que o outro se coloque na defensiva e que me torna conscientede que eu, primeiramente, é que tenho necessidade de ser perdoado porDeus e pelos irmãos. Isto nos recorda a segunda leitura deste domingo.
Nesta semana, peçamos a Deus aprender a não ser omissos, e simresponsáveis pela vida de nossos irmãos e tudo fazer por amor, procurandosempre o caminho da santidade.
Nestes dias tivemos oportunidade de celebrar a presença marianacom a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré: que a estrela daevangelização interceda por nós para vivermos com alegria nossa vocaçãocomum, que é a santidade, sempre escutando o seu Filho, fazendo tudo oEle nos diz.



